ANTES DE PEDIREM QUE EU VÁ ÀS RUAS, ME DIGAM O QUE VAMOS FAZER LÁ!

ANTES DE PEDIREM QUE EU VÁ ÀS RUAS, ME DIGAM O QUE VAMOS FAZER LÁ!

Escrever um texto sobre o momento que estamos assistindo é uma missão perigosa em dois aspectos: Primeiro porque é muito cedo para se tirar conclusões sobre tudo que vimos no dia 17/06/13. Tudo parece ainda sem rumo. Segundo porque um pouco da falta de rumo do que vimos nas ruas pode ser explicado justamente pela falta de leitura, logo, não é com texto que devo conseguir atingir meu objetivo de dialogar.
É preciso deixar muito claro que é muito interessante ver jovens nas ruas, com um objetivo geral de ter um país melhor. Aliás, esse gesto deveria ser um hábito e não um despertar de um “GIGANTE”.
Quantas vezes já ouvimos falar que é preciso acompanhar a atuação do parlamentar que você escolheu? Existe até campanha publicitária institucional instruindo o eleitor a escolher melhor, pesquisar, enfim, valorizar o ato de votar.
Quem assistiu aos manifestos até aqui pode pensar que essas pessoas estavam trancadas no porão ou enterradas até anteontem, inclusive sem direito nenhum a voz nem voto na sociedade brasileira. Pode pensar que esses jovens não fazem parte da mesma sociedade que tem média acima de 50% dos seus parlamentares reeleitos.
A maioria absoluta das personalidades que os jovens se dizem cansados de aturar foram eleitas pelo exercício democrático do voto. Se o voto não é mais suficiente para expressar a vontade do povo em função de um sistema eleitoral que privilegia o poder econômico em detrimento das ideias, então temos aí uma boa pauta para os manifestantes: Reforma Política, já!
Em mais de 24 horas acompanhando as manifestações nas ruas e nas redes sociais, não vi ninguém citar a expressão Reforma Política. Os mais de 200 mil que foram às ruas ontem deveriam assinar um projeto de iniciativa popular. Já teríamos mais da metade das assinaturas necessárias. É uma excelente proposta. Me chamem pra rua, eu vou!
O PT, um dos partidos criticados pelos manifestantes, colhe assinaturas em todo Brasil para um projeto de Reforma Política desde o começo do ano, mas isso a Globo não vai te contar, muito menos a VEJA e muito menos ainda a sorte.
Sair do sofá ou da frente do computador é um grande passo, mas já que ficamos tanto tempo sentados, deveríamos ter utilizado este tempo para ler, aprender, acompanhar de perto as decisões políticas do nosso país. Essa atitude é que vai nos tornar fortes para exigirmos a dignidade plena.
Dizer que tudo é ruim, que todo político é ladrão, que todo partido não presta, não trará nossas soluções.
É preciso ter posição, é preciso olhar o que já deu certo para exigir mais e saber quais são as práticas que não queremos repetir.
Eu não quero protestar contra um monte de coisas que considero avanços sociais importantes e que já deram resultados para o Brasil. Mas eu quero manifestar que estamos longe do que merecemos e queremos chegar lá da forma mais rápida possível, inclusive sabendo que nós somos parte da mudança e não apenas colhemos o resultado dela.
Temas como segurança, saúde, educação e transporte são os cobrados pelos manifestantes, mas também carecem de propostas que possam ser levadas aos poderes executivos e legislativos.
Não li nenhum cartaz pedindo 10% do PIB para educação. Penso que esta seja uma grande proposta, quero ir pra rua para defendê-la.
Recentemente o Governo Federal mandou para o Congresso projeto que destina todo o recurso dos royalties do petróleo do pré sal para uso exclusivo em educação. O Congresso derrubou a proposta e ninguém foi pra rua. Eu queria ir, acho que ainda dá tempo, é outra proposta.
O Brasil pretende arrecadar com a Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas o equivalente a 10 vezes mais do que gastará com obras para os eventos, só com turismo, fora os milhares de empregos gerados e tantos outros benefícios que eventos desta envergadura trazem.
O povo nas ruas deveria propor como investir o dinheiro fruto desses eventos, podia ser, quem sabe, em mobilidade urbana ou mesmo na educação já que fica claro que há um problema grave na matemática dos manifestantes.
Não vi nenhum manifestante preocupado se a União, os Estados e os Municípios estão cumprindo com o percentual mínimo que deve ser investido em saúde. Talvez uma proposta fosse mexer nesse percentual. Está claro que o recurso alojado na saúde é pouco para suprir as necessidades de um País que, diferentemente do resto do mundo, se dispõe a oferecer saúde gratuita a todos. Quero ir para rua discutir isto.
Não vi nenhuma proposta para financiamento de mobilidade urbana, ninguém lembrou a isenção de PIS/COFINS promovida recentemente. Pode ser um caminho para isenção de outros tributos com intuito de reduzir a tarifa.
Vamos fazer o debate de restrição dos transportes individuais em detrimento dos coletivos. Com corredores livres, o transporte coletivo vai ganhar velocidade, pontualidade e, logo, qualidade.
Em Goiânia, onde moro, a Prefeitura comprou a ideia dos corredores e já implantou dois. Nos dois casos, os usuários aprovaram com índice acima de 80%, no entanto, não se assiste ninguém pedindo novos corredores, ao contrário, manifestações partiram dos usuários de carros indignados que não querem abrir mão da vaga do estacionamento para o transporte coletivo.
Vamos priorizar o transporte coletivo nos moldes da Lei de Mobilidade Urbana, sancionada pela Presidente Dilma. Quero ir pra rua!
Mas por favor, não me cobrem para entoar cantos acéfalos ou para dizer que tudo está horrível.
Viva a democracia e tomara que haja sabedoria para exigir o Brasil que queremos.
Meu Brasil precisa quitar muitas dívidas com seu povo, mas é bem melhor do que o Brasil de quem canta: “Ah! Mas que vergonha, o busão tá mais caro que a maconha”.

5 comentários em “ANTES DE PEDIREM QUE EU VÁ ÀS RUAS, ME DIGAM O QUE VAMOS FAZER LÁ!

  1. hugosm91 disse:

    Reforma Política é uma ótima idéia mas não necessariamente precisa ser algo radical. Vamos dar um poder de decisão ao povo além do voto, dando a opinião pública a capacidade de ser ouvida a todo instante, gerando um maior interesse do povo na área.
    http://hugosm91.wordpress.com/2013/06/18/afasta-de-mim-esse-cale-se/
    Caso ache a idéia interessante, compartilhe o texto!

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    • Laurenice Noleto Alves disse:

      Excelente texto, Romero!
      Assino embaixo.
      Como integrante da Comissão da Verdade, Memória e Justiça do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás decidimos em reunião, ontem, que vamos pra rua amanhã, em Goiânia, mas com essa mesma preocupação sua. Por isso, vamos participar, mas levando uma faixa: “Punição aos Torturadores!”
      Não queremos caminhar pra trás.
      Queremos é aprofundar a democracia.
      Nonô Noleto

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    • Romero Arruda disse:

      Li seu texto, amigo, penso q os instrumentos de consulta popular já estão prontos na lei brasileira, falta a gente dizer q eles precisam ser usados mais vezes. Apoio sua iniciativa, dizer isso nas ruas seria de grande importância.

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  2. GILBERTO NERY disse:

    CONCORDO PLENAMENTE, Nº, GÊNERO E GRAU, PARABÉNS.

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