ATIREI ERRADO

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Tarefa fácil nessa vida é perceber se você está ou não em sintonia com os jovens. Eu acreditava que para perdê-la eu levaria um tempo maior, talvez na casa dos 40, mas o fato é que caminho a passos largos para não entender a população pouco mais nova que eu.
O final de semana me reservou o privilégio de ser infiltrado numa festa jovem. Sou um sujeito de fácil adaptação, por isso, tratei de colocar o sorriso no rosto e aproveitar o momento. Acho que eu estava indo bem até aparecer um monte de plaquinhas, dessas com mensagens divertidas para registro fotográfico.
Fiquei ali no canto, tomando minha cerveja e observando as tais placas. Eram variadas, “chama o samu”, “eu não vou lembrar dessa foto”, mas teve uma que me chamou mais atenção, ela dizia simplesmente “tá tá tá tá tá tá tá tá”.
Sintonizado como estava, ou melhor, inserido naquela “vibe”, tratei logo de tentar entender aquela curiosa placa. Rastreando meus arquivos culturais e festivos, encontrei duas informações que me pareciam válidas.
Essa placa faz alusão ao nobre professor Girafales, que em seu estado nervoso repetia sempre o “tá tá tá tá tá”.
Fazia todo sentido, afinal, o seriado Chaves é sempre lembrado e ainda mais agora com a morte recente do astro principal. Só não jurei certeza porque a segunda informação também tinha valor relevante.
Só pode ser referência aquela metralhadora tão bem vocalizada pelos Engenheiros do Hawai no sucesso “era um garoto que como eu”. Batata! Tinha que ser isso! E a homenagem era merecida, aquele “tá tá tá tá tá” da canção é vibrante e contagia a todos.
Em qualquer uma das duas hipóteses eu estava satisfeito. A placa era mesmo necessária para nos trazer à mente essas ricas lembranças que os jovens mantém aquecidas. Ledo engano!
Eu mal tinha terminado meus estudos sobre a placa, começou a tocar uma música que mobilizou uma correria em direção a mesma. Meninas disputavam o direito de ouvir a canção erguendo aquele “tá tá tá tá tá”. Para meu desencanto, no lugar do professor Girafales e da guitarra dos Engenheiros, o mistério se revelou na frase “Sente cheiro de whisk e a precheca dela atira tá tá tá tá tá tá tá tá”. Errei feio, errei rude! Atirei errado. Me sentindo um estranho fora do ninho e totalmente desarmado, enchi o copo de cerveja e voltei pra casa ouvindo Beatles e Rolling Stones.

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