AOS QUE AINDA AMAM AS FLORES

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Sou daqueles que, estranhamente, pensa no próximo, tem preocupação com os mais frágeis, as minorias e carrego diariamente o fardo da utopia da justiça social. Penso que seja uma questão de sensibilidade e, na minha filosofia, sentir é estar vivo. Não saberia responder o quanto desses valores veio no DNA e o quanto me foi passado pela criação dos meus pais e o meio em que convivi até hoje.

Nunca me furtei de opinar durante os períodos eleitorais e sempre fiz com prazer, me relaciono em ambiente familiar e profissional com opiniões diversas, com longas discussões, sempre respeitosas e com a convicção que a divergência sempre foi o efeito colateral mais saudável da democracia.

No entanto, este ano é diferente, divergir tomou significados alheios e sombrios, expondo ao risco o pensamento contrário. O acesso à informação através da internet fez o brasileiro acreditar que seja possível abandonar o banco da escola e as páginas dos livros e, mesmo assim, ser um “doutor” em vários assuntos.

Recorrendo ao método arcaico de ler e pesquisar, me deparei com a feliz frase: “O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e as pessoas idiotas estão cheias de certezas” Bertrand Russell. Aliás, Russell, que foi um gênio, matemático e filósofo, deu de presente a si mesmo o benefício da dúvida sobre diversos temas em tempos diferentes.

O desgaste institucional dos últimos anos nos trouxe até 2018 com a chance de um debate presidencial amplo, com vertentes interessantes. Tivemos 13 candidatos no primeiro turno, mas, num gesto mesquinho e carregado de rancor, levamos ao segundo turno Bolsonaro e o PT. Como num delírio excitante de abandonar a vastidão dos campos para tentar o milagre do triunfo na beira do abismo de olhos vendados.

Amigos antigos sabem da minha herança política e do carinho que tenho pela história que meu pai ajudou construir na idealização de levar a estrela do PT aos palácios mais cobiçados deste país tendo por bagagem a esperança de abrir as portas e deixar nossa gente tão sofrida participar da festa como convidado e não apenas como ajudante na cozinha ou limpando os banheiros.

Os amigos mais recentes e também aqueles que me concedem a honra de prestar serviços profissionais me viram durante o ano fazendo a defesa de uma tese que, no mínimo, seria saudável ao país ouvir outras vozes, outros discursos, acompanhar pessoas mais experientes e mais novas com intuito de achar argumentos que tornassem nossa experiência eleitoral mais ampla, um olhar para além da arena onde se encontrariam os que aí estão.

Negar os avanços sociais promovidos pelo governo do PT é negar o óbvio, mas, também é negar o óbvio achar que o partido pode passar ao largo das críticas dos vários episódios ocorridos durante os 13 anos na presidência que, comprovadamente, tiveram marcas sujas hora pela ilegalidade, hora pela imoralidade, tanto do PT quantos dos partidos que formavam o governo.

Eu conheço muito bem os números do governo do PT e sei, inclusive, que houve investimento significativo nos aparelhos de investigação e combate à corrupção, porém, alguns membros da sigla pareciam não acreditar que seriam submetidos aos efeitos e, mesmo sendo, tiveram ou negativa ou a neutralidade por parte do PT e, com esse tipo de postura, nem eu, nem a história honesta do pai, precisamos concordar.

 Faltando algumas horas para o Brasil ir às urnas percebe-se que minha retórica não surtiu efeito e que, esse texto/desabafo provavelmente sofrerá o mesmo destino, contudo, a neutralidade não me traz conforto e escrever é minha forma de registrar para que amanhã eu tenha clareza de quem fui e que minha filha saiba de que lado eu estava na história do Brasil.

Ocorre que, como bem já avisara Caetano Veloso, “a vida é real e de viés”, e, para se opor ao PT, os brasileiros levaram ao segundo turno o senhor Jair Messias Bolsonaro, cujo o raciocínio mais nobre sai do nada para lugar nenhum. O ex presidente FHC afirmou que recentemente o pensamento de Bolsonaro não pode ser classificado como liberal, aliás é um dúvida se pode ser classificado de pensamento. Não faltam razões para essa conclusão.

Não há uma só virtude que fique de pé quando o assunto é Bolsonaro. Sua carreira militar foi controversa, cheia de episódios de indisciplina e encerrada precocemente para o bem do serviço público. A carreira política é velha, calçada em muito discurso e pouco trabalho, duas emendas aprovadas em 28 anos. Deve ser o Deputado mais caro da história brasileira.

Suas práticas políticas se assemelham a tantas outras que ele diz que vai combater. Fez da política um meio de vida pessoal e familiar, não somou nada na representação do povo fluminense que, aliás, sofre há décadas com a escalada do crime organizado sem que ninguém visse uma palha movida pelo capitão/deputado.

É um defensor da família tradicional brasileira, termo que nada diz e muito assusta, mas ele está em sua terceira família tradicional brasileira, tendo deixado marcas suspeitas de violência nas duas primeiras ex famílias tradicionais brasileiras.

 Cristão que destila mensagens de ódio e violência fazendo de suas pregações o caminho contrário aos valores e princípios que as religiões se prestam a difundir. Sua motivação está coberta de sangue e não merece ser travestida de fé. Se há um Deus e, este, por princípio, deve emanar o bem, Bolsonaro não reúne qualidades para falar por procuração.

Os que o acusam de machista, homofóbico, racista, misógino e, também os que resumem o pacote, o chamam de fascista não o fazem por suspeita, fazem com o auxílio dos textos e vídeos do próprio candidato que, nem durante a campanha, tentou disfarçar o lodo que cobre suas ideias.

Seu flerte com a ditadura e seu cio de fazê-la voltar, infelizmente, doura de sabedoria a frase de Millôr Fernandes: “O Brasil tem um enorme passado pela frente”. E não atenta somente contra seus opositores. Não há quem escape do mal de se perder liberdade. Cecília Meireles definiu liberdade como sendo “uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”.

Quis o destino que o opositor a este ódio improdutivo fosse uma pessoa pacífica, um Professor que, dentre as cinzas que nos cobrem nesta guerra, tenta nos convencer que somos mais fortes com os livros do que com as armas. Fernando Haddad merece muitas ressalvas dos males do PT, não só por seu currículo, mas por sua prática. Seu serviço prestado pela educação brasileira o credenciam para defender nossa democracia e aceitação das críticas construtivas.

Domingo à noite, independentemente do resultado não teremos o que comemorar. Não se chama de vencedor quem sobra vivo, mas tão ferido de um embate cego e cruel como foram essas eleições. Ao eleito, desejo sabedoria para condução do estado brasileiro, acima de qualquer convicção pessoal.

Diante deste cenário, a conclusão possível é que estamos em questão de sobrevivência, é compreensível o desejo das pessoas não votarem no PT, mas é absolutamente irracional a coragem de votar nesse boçal. Digitar 13 no domingo não é votar no PT, é votar na democracia. É votar pelo direito, inclusive, de protestar contra qualquer governo na segunda feira. O Professor Cortella nos ensina que “Em uma democracia você pode protestar pedindo a ditadura, mas em uma ditadura você não pode protestar pedindo democracia”.

Não faço dessas palavras nenhum convite ao debate porque não considero que tenhamos duas ideias vivas por sobre a mesa e não acho justo que o Bolsonaro se negue a debater, mas faça apelo para que seus eleitores travem a defesa por ele. Aos que sentem orgulho de argumentar em nome de Bolsonaro deixo o recado do Renato Russo que “não protege general de 10 estrelas que fica atrás da mesa com o c* na mão”.

Não me seduz a neutralidade, mas sim, o conforto de saber os que estão ao meu lado na trincheira que, segundo Ernest Hemingway, importa mais do que a própria guerra. E não há, amigos e amigas, a mínima chance do Alexandre Frota estar do lado certo e o Chico Buarque do lado errado.

Abraços fraternos.

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A PANELA

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Armandinho era, dentre tantas coisas, um exímio estrategista. Depois da separação adotou um estilo minimalista e adorava dizer que rico não era quem mais tinha e sim quem menos precisava.

Mudou-se para uma casa pequena, cultivava sua horta no quintal, trocou seu travesseiro por um cano PVC. No armário tinha quatro copos, quatro talheres, três pratos e três panelas.

Trabalhando muitas horas por dia, Armandinho deu falta da organização e limpeza que seu reduto merecia. Recebeu a indicação de uma diarista e aceitou o conselho.
Sem muitas orientações para dar, disse o básico: “Quero uma casa limpa, preciso que você vença a poeira e lave o banheiro. Não tenho muito para organizar, trate bem os meus livros”.

A missão era fácil para Josefina que era experiente e já chegava aquecida no trabalho depois de pedalar alguns quilômetros. Se organizasse bem o seu tempo dava pra sair cedo do serviço.

Durante um mês a parceria funcionou bem, Armandinho satisfeito com a faxina semanal e a Josefina feliz com a falta de mobília do patrão. Ocorre que por razões desconhecidas, Josefina, num gesto infeliz de cleptomania, resolveu carregar uma das três panelas do Armandinho, que, na mesma noite, deu falta.

Armandinho, que já não andava muito satisfeito com a humanidade, ficou puto, não sabia se sentia mais pelo fato de ser roubado ou pelo fato da Josefina escolher roubar uma panela de um patrão que só tinha três.

Ajustando os horários no trabalho, Armandinho voltou pra casa mais cedo na quinta feira que sucedeu o ocorrido. Josefina fazia os últimos ajustes na casa quando Armandinho colocou em prática sua estratégia de guerra para vingar sua caçarola.

O guidão da bicicleta da Josefina recebeu alguns toques de fezes que o Armandinho cuidadosamente separou para seu plano. Assim que a Josefina saiu em direção a bicicleta para ir embora o Armandinho trancou as portas e janelas.

Pouco tempo depois a Josefina batia à porta com desespero pedindo para entrar e lavar as mãos, mas o Armandinho, sentado num caixote de feira no centro da sala bradava:
“Minha panela, filha da puta, minha panela!!!”

O VARAL

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Era manhã de domingo e meu pai resolveu que deveríamos lavar as cobertas já prevendo a chegada do frio.
Recordo-me não ter gostado nenhum pouco da ideia e fui me arrastando para o fundo da casa encontrar meu pai que já estava no tanque e argumentava sozinho frases positivas para amenizar a tarefa: “De dois é rápido pra lavar”, “A água não tá fria não”, “Eu fico numa cuba e vc fica noutra”
Eu já entrei na dança sabendo que não ia ser rápido, a água tava fria pra cacete e a história de cada um ficar numa cuba só demonstrava o tamanho da coberta favorita dele. À época não era do meu conhecimento as classificações usadas hoje, mas a coberta do meu pai devia ser king.
Finalizada a parte do tanque passamos para segunda etapa: torcer.
Mais positividades: “De dois é fácil”, “Eu giro para um lado e vc para o outro”, “Vai para o varal praticamente seca”.
Depois que cada um girou três vezes o monstro em forma de coberta escapou da mão do meu pai e se jogou lindamente no chão da área de cimento. Foi de partir meu coração. Meu pai, sempre positivo, se limitou a proferir um sonoro “Puta que pariu!!!” seguido da sua risada marcante. Voltamos ao tanque para novo enxágue.
Depois de vencer o segundo passo com mais cuidado partimos para o último: estender
O varal estava na frente da casa preso a uma coluna da varanda e um esteio fincado na terra que não passava muita confiança.
Meu pessimismo realista dava conta de que mesmo torcida a coberta era pesada demais para o varal e com o agravante de que o varal estava por sobre chão de terra.
Leônidas Arruda, otimista convicto, não deu bola pra minha conta: “Porra nenhuma! Esse varal aguenta até um carro pendurado, pode ficar tranquilo que vai dar certo. Joga sua ponta que eu jogo a minha”.
Infelizmente eu estava certo, a coberta foi ao chão com varal, esteio, terra e tudo que tinha direito.
Nossa manhã estava agora jogada no chão e meu pai gargalhava como nunca. Eu todo molhado olhando pra ele todo molhado também sem entender de onde vinha tanta alegria. Três da tarde ainda estávamos envolvidos entre lavar a coberta e reconstruir o varal.
Hoje, vendo a máquina lavar minha coberta, me veio a recordação da nossa aventura e posso afirmar, meu querido pai, que compreendi que o mais importante daquele dia era o tempo ao seu lado e o som da sua gargalhada que ficou estendido para sempre no varal da minha lembrança.

COMENTARISTA DE MERDA

O brasileiro é, por natureza, um especialista. Ele é especialista em tudo sem nunca ter lido um parágrafo sobre nada. Quando eu tinha bom humor, eu admirava a capacidade do brasileiro dar pitaco em assuntos que ele não dominava, pensava até ser uma questão de inteligência.

O amadurecimento e amargor da experiência me fizeram mudar completamente a visão. Hoje, penso ser uma questão de desrespeito, ignorância e soberba. Um bom acordo seria deixar o brasileiro dando aula somente sobre futebol. Falar de corrida espacial, déficit público e genoma humano me parecem um pouco exagerado. De preferência, deveríamos estabelecer a regra de que é proibido receber qualquer remuneração para comentar futebol. É uma questão de justiça.

Eu me esforço muito para não ouvir nem um comentarista de futebol. Não vejo razão para ouvir quem sabe menos ou o mesmo tanto que eu e recebe por isso, mas, em ano de copa do mundo, a gente acaba sendo traído por uma ou outra fala.

Recordo-me do dia em que vi um comentarista desmerecer a condição do Marcelo ser capitão da seleção brasileira pelo fato dele ser muito “espiroqueta”. Prontamente, o colega de bancada questionou afirmando que o comentário era exagerado, desproporcional e que poderia levar a má interpretação por parte dos telespectadores.

Depois de 5 minutos conversando, os dois comentaristas chegaram num acordo de que na verdade o Marcelo era “espirocado” e não “espiroqueta” e que, mesmo com o perfil melhor definido, não deveria ganhar a faixa de capitão.

A riqueza desse debate me trouxe uma analogia que penso ser merecedora desse texto. Percebi que desde que minha filha nasceu, eu e minha esposa somos verdadeiros comentaristas de merda e que nossos comentários sobre o cocô da nossa filha são tão vazios quanto os dos analistas de futebol:

– Como estava o cocô hoje cedo?

– Estava bom, mas poderia ter sido melhor.

Ou

– Você acha que ela poderia ter feito mais cocô hoje?

– Sem dúvida, ela tem potencial para fazer mais. Resta saber qual a razão para o baixo desempenho de hoje.

Aguardo convite das emissoras que se interessem pelo assunto.

SORTE ACUMULADA

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Tentaram me convencer de que se autodenominar azarado dá um azar desgraçado, pelo sim, pelo não, aceitei a ideia e passei a evitar referências ao azar, no máximo, quando era inevitável, adotei expressões mais leves: “Foi uma tremenda falta de sorte”, “eu não estava no meu dia de sorte” ou “terei mais sorte na próxima vez”.

O problema é que a PCA (Patrulha do Comportamento Alheio) não se viu satisfeita e me mandou alertas de que não era producente ficar dizendo que faltava sorte. Tive um pouco mais de trabalho, mas, para aquietar a patrulha, resolvi criar a expressão “sorte acumulada”, foi um sucesso!

Eu nunca ganhei nem par ou ímpar, nenhum sorteio, nenhuma rifa, nenhum bingo… Certa vez um grande amigo que mora na Europa trouxe na sua viagem de férias algumas notas da recém criada moeda EURO, era uma novidade e tanto. Quando o churrasco já estava mais vazio e juntou os amigos mais próximos e disse que queria nos presentar a todos com notas de EURO.

Quando sacou as notas da carteira ele se deu conta de que estávamos em 6 amigos e só haviam 5 notas. O método escolhido para resolver o drama foi o sorteio. Adivinhem quem foi que ficou sem nota?

Todas as vezes que me abordaram para dizer que tive muita sorte a abordagem se dava após algum evento muito ruim em que o portador da mensagem queria dizer que tive sorte de não ter sido pior: “Ainda bem que só roubaram seu tênis, já pensou se resolvem atirar em você? Você teve muita sorte”.

Afirmar que minha sorte estava sempre acumulando me fez crer que não posso gasta-la em situações comuns, no dia a dia, minha sorte está se guardando para a Mega Sena da virada, sendo assim, não dá para sofrer pelo brinde do bingo da firma no final do ano.

Semana passada um fato inusitado mexeu com minha teoria da sorte. Fomos a um evento ao livre, uma reunião de foodtrucks com cervejas artesanais e um bom show de rock. A agência de publicidade organizadora resolveu sortear algumas camisetas do evento e, para meu susto, fui o primeiro sorteado.

De lá pra cá ando muito preocupado em ter gastado toda minha sorte naquela camiseta em troca da mega sena. Minhas poucas esperanças restam do fato de que quando cheguei em casa e fui experimentar a camiseta ela estava com um belo rasgado debaixo do braço. Foi a sorte que me restou, espero que dê pelo menos a Lotofácil da independência.

CÃO QUE LATE…

Envelope

Comunicação é tema indispensável em qualquer curso de formação, atualização ou especialização. Comunicar bem é imprescindível para o sucesso.

Existem situações em que a comunicação carece de intermediário, fator que aumenta o desafio. Nesses casos, o cuidado é redobrado e faz-se necessária a confirmação da capacidade do intermediário de entregar sua mensagem.

O Jonas, vulgo Cachorrão, achou por bem nomear um envelope do Banco do Brasil para transportar sua mensagem para Flávia. Os envelopes de depósito costumam lograr êxito na tarefa de fazer o dinheiro cair na conta, isso o banco garante, mas são péssimos condutores de mensagens amorosas, razão pela qual me disponho a compartilhar com vocês o bilhete do Cachorrão na esperança de que o carinho e o afeto possam chegar ao coração da Flávia. E que esta tenha tempo para comprar a calcinha especial.

Felicidades ao casal.

ATCHIN!!!

Todas as mesas da biblioteca estão cheias. Não há outra alternativa a não ser compartilhar mesa com alguém. A mesa é confortável para duas pessoas, desde que as duas disponham de algum bom senso. Há aqueles que trazem computador, tablet, dois celulares, agenda, livro, garrafinha personalizada e barrinha de cereal para comer no meio da manhã. Esses não cabem nem sozinhos.Uma olhada rápida e sem muito critério, busco alguém que ocupe menos espaço (sinal claro do espírito de compartilhamento). Encontro um sistemático, parece que ele tirou medida da mesa e fez questão de não ocupar nenhum centímetro além da metade. Pronto! Achei meu lugar.

Fiz meu “bom dia” já com a expressão facial apontando para metade livre da mesa e fui bem recebido: “Opa, bom dia, fique à vontade”. 

Devidamente instalado e com minha parafernalha montada passo a produzir meu dia. Um e-mail aqui, uma matéria de jornal ali, um cliente para responder, outro para perguntar… Tudo correndo bem exceto pelo fato de que o colega de mesa passou a emitir todos sinais de que estava atravessando uma baita gripe e, justo hoje, parecia ser o ápice do processo.

Tosse, coriza, olho vermelho, etc… Eu só lembrava da vitamina C que comprei de promoção e que leva 5 minutos para dissolver de tão sem vergonha que é. Teste melhor não pode haver. 

Não faz muito tempo que o colega foi embora e já me sinto todo lascado, ainda não sei se é patologia ou psicologia, mas o fato é que em tempos de H1N1 eu preciso escolher melhor a mesa.