CÃO QUE LATE…

Envelope

Comunicação é tema indispensável em qualquer curso de formação, atualização ou especialização. Comunicar bem é imprescindível para o sucesso.

Existem situações em que a comunicação carece de intermediário, fator que aumenta o desafio. Nesses casos, o cuidado é redobrado e faz-se necessária a confirmação da capacidade do intermediário de entregar sua mensagem.

O Jonas, vulgo Cachorrão, achou por bem nomear um envelope do Banco do Brasil para transportar sua mensagem para Flávia. Os envelopes de depósito costumam lograr êxito na tarefa de fazer o dinheiro cair na conta, isso o banco garante, mas são péssimos condutores de mensagens amorosas, razão pela qual me disponho a compartilhar com vocês o bilhete do Cachorrão na esperança de que o carinho e o afeto possam chegar ao coração da Flávia. E que esta tenha tempo para comprar a calcinha especial.

Felicidades ao casal.

ATCHIN!!!

Todas as mesas da biblioteca estão cheias. Não há outra alternativa a não ser compartilhar mesa com alguém. A mesa é confortável para duas pessoas, desde que as duas disponham de algum bom senso. Há aqueles que trazem computador, tablet, dois celulares, agenda, livro, garrafinha personalizada e barrinha de cereal para comer no meio da manhã. Esses não cabem nem sozinhos.Uma olhada rápida e sem muito critério, busco alguém que ocupe menos espaço (sinal claro do espírito de compartilhamento). Encontro um sistemático, parece que ele tirou medida da mesa e fez questão de não ocupar nenhum centímetro além da metade. Pronto! Achei meu lugar.

Fiz meu “bom dia” já com a expressão facial apontando para metade livre da mesa e fui bem recebido: “Opa, bom dia, fique à vontade”. 

Devidamente instalado e com minha parafernalha montada passo a produzir meu dia. Um e-mail aqui, uma matéria de jornal ali, um cliente para responder, outro para perguntar… Tudo correndo bem exceto pelo fato de que o colega de mesa passou a emitir todos sinais de que estava atravessando uma baita gripe e, justo hoje, parecia ser o ápice do processo.

Tosse, coriza, olho vermelho, etc… Eu só lembrava da vitamina C que comprei de promoção e que leva 5 minutos para dissolver de tão sem vergonha que é. Teste melhor não pode haver. 

Não faz muito tempo que o colega foi embora e já me sinto todo lascado, ainda não sei se é patologia ou psicologia, mas o fato é que em tempos de H1N1 eu preciso escolher melhor a mesa.

SOBE E DESCE

O elevador é uma ótima experiência social, penso que seja a melhor régua para medir o egoísmo das pessoas. Quando o sujeito está do lado de fora esperando fica apertando o botão de chamar umas 10 vezes, balança a perna, bate o pé no chão e, geralmente, resmunga: “Essa porra de elevador não chega logo”. 

Depois que o sujeito entra muda tudo, quer que o elevador permaneça fechado e só pare no destino que lhe interessa. Se o elevador para em outro andar, pronto: “Puta que pariu, pra que parar aqui? Vai parar em todos agora? Vamos embora, minha gente!”.

Todo dia a cena se repete, dá pra entender? E olha que não estou me referindo só aos leoninos.

Boa tarde!

O LADO BOM DAS COISAS

Satisfação

            Outro dia, fui chamado atenção sobre meu olhar para as coisas do dia a dia. Segundo esse conselheiro, eu usava uma régua muito criteriosa para medir as coisas negativas e não dava o mesmo privilégio para as coisas boas de cada situação cotidiana.

            Criticando minha autocrítica, vi que não custava tentar fomentar a positividade e passei a buscar justiça entre elogios e reclamações. Logo no primeiro embate cotidiano, um cara me chamou de “belo”. Na verdade, ele tentou furar a fila na frente de uma senhora que aguardava o pão recém tirado do forno na padaria aqui perto de casa e eu o denunciei. Não muito satisfeito ele disse que eu era um “belo de um filho da puta”, mas eu já estava focado em dar mais valor nas coisas boas.

            Na mesma semana, sem carro, precisei me deslocar de Goiânia para Brasília. Com preguiça de encarar a rodoviária e a lentidão do ônibus, resolvi apostar em um aplicativo de carona. O caroneiro se apresentava como experiente, seguidor das regras de trânsito e rígido com horário marcado. Não vi como podia ser melhor. Marcamos às 16 horas em um posto de gasolina.

            Ele chegou às 17:20 com a cara mais tranquila que baiano em véspera de carnaval e disse: “preciso só calibrar os pneus e abastecer o carro, daí a gente já sai, já”. Pegamos a estrada junto com o por do sol, segundo ele, o melhor horário para viajar. Dirigia com o banco bem deitado, contemplando cada árvore do caminho, enquanto os pneus bem calibrados rasgavam a estrada a 70 quilômetros por hora. Todos os ônibus nos passavam.

            No auge da minha caça para enxergar o lado bom dessa vagarosa experiência, meu amigo naturalista me perguntou se eu ficaria chateado se ele acendesse um cigarro de maconha para aproveitar aquela viagem. Cheguei em casa às 22 horas, fedendo maconha e com dificuldades de encontrar equilíbrio emocional.

            Esta semana, chamei um Uber para me deslocar. Ao entrar no carro, notei o sinal de aviso de combustível na reserva. Segurei a crítica e fiquei quieto e concentrado para meu compromisso. Poucos quilômetros depois, fui surpreendido com o motorista espancando o acelerador do carro e exclamando: “Eu não acredito que esse carro vai fazer isso comigo!!!”. Eu tive serenidade para explicar que pisar com força no acelerador não enche o tanque, mas ele todo sem jeito tentou argumentar que não era falta de gasolina, mas sim um defeito mecânico.

            Não sabia ele que eu havia notado não só a luz da reserva, mas também se ele dirigia com as duas mãos, se tirava o pé da embreagem, se freava na curva, se usava os três espelhos e outros tantos detalhes que não passam despercebidos por um crítico virginiano.

            Ando ansioso para encontrar esse amigo conselheiro. Ele tinha razão quando disse que minha vida ia mudar. Em duas semanas já ganhei uma crônica.

A NOITE PELO DIA

Depois de uma noite praticamente insone amanheci com duas certezas: 1. não dava para ficar na cama tentando recuperar o sono perdido. 2. Passaria o dia com sono.

Logo após deixar minha filha na escola segui para barbearia pra dar um tapa no visual. Lá chegando fui acolhido por ambiente calmo, silencioso sem nenhum cliente e poucos funcionários.

Já acomodado na cadeira percebi que um dos funcionários resolvera quebrar o silêncio com um pequeno rádio e seu pendrive com uma seleção especial de forró e baião.

Sanfona, zabumba e triângulo trabalhavam bem ritmados em volume respeitoso dando ao ambiente um ar ainda mais propício ao descanso.

Quando a cadeira foi deitada e meus olhos cobertos com uma toalha o desafio de ficar acordado passou para um nível que não valia a pena mais lutar.

Acordei um tempo depois com meu próprio ronco em desobediência ao Rei Gonzagão que pelo rádio fazia seu alerta:

🎼”É proibido cochilar, cochilar, cochilar…”🎼

EXAGERADO

Pinoquio

 

Há que se preocupar com as estratégias comerciais adotadas para fazer o consumidor acreditar na qualidade e no potencial dos produtos. De forma generalizada o que ocorre são mentiras, cada vez mais cabeludas, para dizer e afirmar tudo que o produto não é, mas que você precisa acreditar que seja para comprar.

Sendo generalizado, sugiro que as organizações comerciais façam reuniões em salas escuras, escondidas nas madrugadas e comecem sua autocrítica, iniciem o processo de retorno para realidade terrestre pois, o abismo está próximo. Alguns vão dizer que a retórica está exagerada como os anúncios, mas, para estes, o poder dos exemplos há de justificar as preocupações.

Recentemente a Renault lançou um carro chamado KWID, no comercial de TV a atriz fez a maior cara de surpresa quando o ator disse que o carro era compacto: “COMPACTOOOOO??????????? E esse espação todo?”. Quem já viu o carro na rua entendeu que a palavra “compacto” é uma bela saída do pessoal do marketing para o que deveria se chamar “apertado pra caralho”.

Não sei se a  dupla de globais não convenceu, mas o fato é que a RENAULT chamou reforço para ajudar a vender o KWID. Anúncios nas concessionárias e em alguns shoppings trazem o carro exposto com um grande banner do incrível HULK. Se já era difícil colocar o Bruno Galiasso dentro do carro, imaginem o Hulk. O Hulk, que é exagerado também, poderia usar o KWID como separador de dedos na sua sessão de podologia.

Outro dia resolvi contratar o serviço de lavagem de sofá a seco. Fiquei intrigado como se daria tal procedimento, que tipo de máquina e produto poderiam limpar o tecido sem o auxílio luxuoso da água? Confesso que criei até uma expectativa sobre o assunto. Pois bem.

No dia e hora marcados chegou o ARAÚJO, desceu seus apetrechos, conectou alguns cabos, ligou as tomadas e eu ali de olho na engenharia. Meia hora depois meu sofá estava sendo esfregado com um escovão depois de ter sido amplamente molhado com água e sabão. Antes de sair o Araújo ainda deixou uma mensagem: “Deixa essa janela aberta e vê se coloca o ventilador direcionado para o sofá porque do contrário ele vai levar uns 2 dias para secar”.

Outro dia larguei um prato de comida pela metade para não perder uma super promoção de fraldas descartáveis. No tamanho de fraldas que minha filha usa o segredo é nunca pagar mais do que R$ 1 real por unidade. Deixei o prato de lado quando as AMERICANAS anunciaram fraldas com 60% de desconto. Saí roendo uma coxa de frango pelo trânsito na esperança de fazer estoque para o resto do ano comprando fraldas por menos de cinquenta centavos.

Dentro da loja, limpando a gordura do frango com o antebraço, avistei a torre de fraldas PAMPERS. Preço unitário: R$ 0.98 centavos. Perdi meu tempo, meu prato, meu frango e até a minha fé na humanidade.

Eu poderia escrever uma verdadeira enciclopédia de exemplos, poderia ainda falar sobre alguns serviços anunciados por salão de beleza que eu vi minha mulher comprando, mas aí não seria caso de texto, seria caso de polícia.

Encontro importante

    Filha, hoje você teve um encontro muito importante. Eu sei que vocês já se conheciam, mas desta vez foi diferente. Não houve mistura, não houve intromissão, hoje foram só vocês duas. 

    Faço questão de escrever para registrar esse dia, pois, daqui em diante vocês duas nunca mais vão se separar. Mas o que será que faz desse encontro tão especial e inseparável? Certamente não é o cheiro, nem a cor e muito menos o sabor.

    Hoje você bebeu água, bebeu, provou e gostou a própria vida!


#Água #Vida